11/11/2012

Purgatório


     Quando estou quase me curando do buraco que você sempre deixa em meu peito, quando o poço de injúrias e dor está quase cicatrizando, você volta.

     Volta e, cruelmente, sínicamente, começa a cavar novamente. Mais fundo, mais fundo... Você tem certeza que um dia chegará à minha alma. E que, neste dia, ela será sua e eu estarei acabada. Mas não. Por que ela já se foi. Há muito tempo. Só eu continuo presa aqui.

     Por isso, só o que peço é que deixe esta minha carcaça velha descançar. Sou uma concha. Por sua causa, não passo de uma maldita concha! Sem vida, mas não morta. Sem sentidos, mas sentindo. Sem sentimenos, mas com dor!

     Vegeto o dia inteiro, esperando pelo meu inevitável e demorado fim. Sei que quando ele chegar, estarei finalmente livre. E quando sinto a presença dele, o fim, percebo que ele é você.

     Você é o meu Fim.

     Um Fim infindável.

     Um Fim incurável.
A. Lopes
That’s All Foks!
10 de Novembro de 2012
Postado em 11/11/2012. Tags:
A. Lopes

Estudante de Sistemas de Informação metido a escritor e webdesigner. Amo ficar deitado vendo séries no netflix, escutando música ou vendo vídeo de gameplay no Youtube. Programador por necessidade, gosto de aprender coisas novas sempre.

Veja também:

Deixe Sua Opinião