Quando a gente cresce (oi?), começa a perceber coisas que antes passavam despercebidas por causa dos encantos da infância. Foi o que aconteceu comigo enquanto renovava minha matrícula no IFAL e o carinha com uma total coragem dizia "RG e comprovante de residência!".
Isso provocou uma epifania em mim enquanto as palavras "comprovante" e "residência" giravam em minha cabeça. E, obviamente minha primeira pergunta foi: Como assim comprovante de residência?
Depois percebi que isso não acontece só com a escola: CPF, emprego, cadastro no SUS, alistamento no serviço militar, etc. Muitas coisas que são (ou deveriam ser) direitos de qualquer cidadão exigem que você tenha uma casa. Isso quer dizer que se você quiser estudar ou mesmo ser um cidadão para o governo, caso você não tenha uma casa, você não pode.
Espero que eu não seja o único a achar isso revoltante. Como uma constituição que afirma que todos são iguais perante a lei e que todo cidadão tem direito ao lazer, trabalho, saúde e educação pode se contrapor a tal ponto? Como órgãos públicos que deveriam ajudar a todo e qualquer cidadão exigem condições não tão justas e tão exclusivas?
Este tipo de atitude seletiva do governo mancha sua ideologia de igualdade que é a base de nossa república. "Ordem e progresso", um lema positivista que infelizmente perdeu seu sentido da busca pelas condições sociais básicas. A ordem parece que nunca existiu e o progresso há muito foi abandonado ou melhor, nunca existiu num sentido social.
É triste mas temos que admitir que o Brasil ainda não é um país igualitário em nenhum sentido; provavelmente nunca o será. Mas não podemos simplesmente culpar o governo. Nossa cultura é a principal culpada. Mas essa coisa de pensamento de colonizado já é assunto para outro dia. Hoje, vamos parar por aqui.
Informações: A Constituição Federal e os Direitos Sociais Básicos ao Cidadão Brasileiro
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23☼03☼2013
